Dr. Wang Xiaoliang - Colecistolitotomia por incisão única com preservação da vesícula biliar

Ter cálculos biliares significa necessariamente remover a vesícula? — Cirurgia minimamente invasiva inovadora: colecistolitotomia por incisão única com preservação da vesícula

  Os cálculos biliares são uma doença comum em todo o mundo, com tendência a afetar pessoas cada vez mais jovens. No passado, o tratamento quase sempre consistia na remoção direta da vesícula biliar, o que levanta dúvidas em muitos pacientes: será que a remoção é realmente necessária?

  Na verdade, nem sempre. O Dr. Wang Xiaoliang, do Departamento de Cirurgia Hepatobiliar do Hospital Pudong, afiliado à Universidade Fudan de Xangai, após décadas de pesquisa clínica, alcançou avanços técnicos significativos na remoção de cálculos biliares.

  O tratamento dos cálculos biliares não pode ser simplificado para “se há pedras, remove-se a vesícula”. É preciso avaliar se a vesícula tem função, se há sintomas, complicações e se o paciente atende aos critérios para a preservação da vesícula.

  A vesícula biliar não é um órgão dispensável. Ela é responsável por armazenar, concentrar e excretar a bile, auxiliando na digestão, especialmente de alimentos ricos em gordura e proteínas. A vesícula também secreta fluidos que protegem sua parede e pode ter funções imunológicas.

  Se a vesícula for removida, embora se evite a recorrência de cálculos, podem surgir problemas como má digestão, distensão abdominal, diarreia, maior incidência de cálculos no ducto biliar comum, refluxo esofágico, gastrite, duodenite e comprometimento da defesa imunológica biliar.

  Portanto, para vesículas biliares funcionais, especialmente em pacientes jovens, a remoção não é obrigatória em todos os casos. Nos últimos anos, o conceito de cirurgia funcional — “remover os cálculos, preservar a função da vesícula” — tem ganhado cada vez mais importância.

Quais são os perigos dos cálculos biliares?

  Os cálculos biliares podem ser assintomáticos no início, sendo muitas vezes descobertos incidentalmente em ultrassonografias de rotina. Alguns pacientes sentem apenas um desconforto abdominal superior após refeições pesadas ou gordurosas, facilmente confundido com problemas gástricos.

  Quando um pequeno cálculo fica impactado no colo da vesícula, pode causar cólica biliar. A dor geralmente se localiza no quadrante superior direito ou no epigástrio, podendo irradiar para a escápula direita ou costas, acompanhada de náuseas e vômitos. Refeições pesadas, alimentos gordurosos ou mudanças de posição durante o sono podem agravar a dor. Alguns pacientes podem apresentar icterícia leve.

  Os cálculos biliares também podem causar colecistite, colangite, cálculos secundários no ducto biliar e, em casos graves, infecção sistêmica. A inflamação crônica prolongada e a irritação pelos cálculos estão associadas ao desenvolvimento de câncer de vesícula biliar.

  Uma complicação que merece atenção especial é a pancreatite biliar. A vesícula biliar se comunica com o ducto biliar, que compartilha uma abertura comum com o ducto pancreático. Se um pequeno cálculo da vesícula migrar para o ducto biliar e bloquear a abertura comum, pode obstruir o ducto pancreático, impedindo a drenagem do suco pancreático e desencadeando pancreatite. A pancreatite leve pode ser tratada com fluidoterapia, mas a forma grave pode ser fatal.

  Portanto, os cálculos biliares não devem ser tratados com litotripsia extracorpórea como os cálculos renais. A fragmentação dos cálculos pode fazer com que pequenos fragmentos migrem para o ducto biliar, provocando complicações mais sérias, como colangite e pancreatite.

Quando a cirurgia deve ser considerada?

  Cálculos biliares assintomáticos podem ser monitorados periodicamente com ultrassonografia, mantendo uma dieta regular. No entanto, observações de longo prazo mostram que a condição pode progredir em alguns pacientes, com o surgimento de sintomas ou complicações.

  A cirurgia deve ser considerada nas seguintes situações:

  1. Cálculos múltiplos ou com diâmetro superior a 2–3 cm;
  2. Calcificação da parede da vesícula ou vesícula em porcelana;
  3. Pólipos na vesícula biliar maiores que 1 cm;
  4. Espessamento da parede da vesícula superior a 3 mm;
  5. Sintomas evidentes ou complicações já presentes;
  6. Colecistite aguda recorrente;
  7. Falha do tratamento medicamentoso com progressão da doença;
  8. Gangrena da vesícula, perfuração, peritonite difusa ou outras condições graves;
  9. Calafrios, febre alta ou tendência ao choque séptico.

  Para pacientes com sintomas ou complicações, a cirurgia é geralmente a principal opção terapêutica.

O que é a colecistolitotomia com preservação da vesícula?

  A colecistolitotomia com preservação da vesícula consiste em remover os cálculos biliares mantendo a vesícula intacta. O objetivo central é extrair todos os cálculos e preservar a função da vesícula.

  No passado, as técnicas antigas de preservação da vesícula eram consideradas de alta recorrência, principalmente devido à falta de equipamentos como coledocoscópios, o que deixava áreas cegas durante a extração. Muitas “recorrências” eram, na verdade, cálculos residuais. A nova técnica endoscópica de preservação da vesícula utiliza equipamentos de alta magnificação que permitem visualizar claramente a forma, o tamanho e a distribuição dos cálculos, reduzindo as áreas cegas e o risco de cálculos residuais.

  A taxa de recorrência de cálculos após a nova técnica endoscópica é de 2% a 10%, podendo ser controlada abaixo de 5% com uma cirurgia de alta qualidade.

O que é a colecistolitotomia laparoscópica por incisão única com preservação da vesícula?

  A cirurgia laparoscópica tradicional geralmente requer 3 ou 4 incisões na parede abdominal. A colecistolitotomia laparoscópica por incisão única é realizada através de uma única incisão no umbigo, geralmente de 2 a 3 cm, por onde se acessa a cavidade abdominal para realizar o procedimento.

  Como o umbigo possui pregas cutâneas naturais, a incisão fica muito discreta, resultando em um efeito quase “sem cicatriz”. Esta é uma das maiores vantagens da cirurgia laparoscópica por incisão única.

  Suas principais vantagens incluem:

  1. Menos incisões, trauma reduzido;
  2. Cicatriz escondida no umbigo, excelente resultado estético;
  3. Dor pós-operatória mais leve;
  4. Recuperação rápida;
  5. Menor tempo de internação;
  6. Custos hospitalares reduzidos;
  7. Visão laparoscópica nítida, com magnificação no monitor;
  8. Melhor visualização do tamanho, forma e distribuição dos cálculos, reduzindo omissões e cálculos residuais.

  No entanto, a laparoscopia por incisão única também apresenta desafios. Como o laparoscópio e os instrumentos cirúrgicos entram pelo mesmo canal no umbigo, o espaço de trabalho fica “apertado”, tornando a cirurgia tecnicamente mais difícil do que a laparoscopia tradicional, exigindo maior habilidade do cirurgião em técnicas laparoscópicas e manipulação de instrumentos.

Quem é candidato à colecistolitotomia com preservação da vesícula?

  A preservação da vesícula não é indicada para todos os pacientes com cálculos biliares. É fundamental respeitar as indicações e contraindicações, com base nos resultados dos exames.

  As indicações para a preservação da vesícula incluem:

  1. Diagnóstico de cálculos biliares confirmado por ultrassonografia ou outros exames de imagem;
  2. Função da vesícula biliar normal comprovada por ECT ou colecistografia oral;
  3. Vesícula biliar não visualizada no ECT, mas com possibilidade de remoção completa dos cálculos durante a cirurgia e confirmação de permeabilidade do ducto cístico;
  4. Outras indicações consideradas pelo cirurgião hepatobiliar.

  Em resumo, os melhores candidatos são pacientes com vesícula biliar funcional, ducto cístico permeável, cálculos passíveis de remoção completa e sem doença grave da vesícula.

Quais são as contraindicações para a preservação da vesícula?

  As contraindicações incluem:

  1. Vesícula biliar atrofiada ou com lúmen ausente;
  2. Cálculos no ducto cístico não identificáveis ou não removíveis por endoscopia durante a cirurgia;
  3. Obstrução do ducto cístico confirmada por colangiografia intraoperatória e sem possibilidade de resolução;
  4. Cálculos intramurais difusos na vesícula biliar de grau III ou superior;
  5. Xantogranulomatose da vesícula biliar;
  6. Cálculos biliares associados a malignidade.

  Nesses casos, geralmente não é recomendado insistir na preservação da vesícula. A decisão de preservar ou não a vesícula depende não apenas da vontade do paciente, mas também da viabilidade e segurança do procedimento.

Preservar ou remover a vesícula: como decidir?

  A colecistectomia tem a vantagem de evitar a recorrência de cálculos biliares. A colecistectomia laparoscópica é há muito tempo o padrão-ouro para o tratamento de cálculos biliares, oferecendo trauma mínimo, cicatrizes pequenas e recuperação rápida.

  No entanto, a remoção da vesícula significa a perda permanente de sua função, o que pode trazer problemas a curto e longo prazo. Portanto, a escolha do tratamento não pode ser generalizada.

  De forma geral: se a vesícula biliar já está gravemente doente, atrofiada, sem função ou com risco de malignidade, a remoção pode ser mais adequada.

  Se a vesícula tem boa função, os cálculos podem ser completamente removidos, o ducto cístico está permeável e o paciente atende aos critérios para preservação, a colecistolitotomia com preservação da vesícula pode ser uma opção.

  A decisão final deve ser tomada pelo médico, considerando os sintomas do paciente, a função da vesícula, as características dos cálculos, o estado da parede da vesícula, a permeabilidade do ducto cístico, a preferência do paciente e as condições cirúrgicas disponíveis.

Os cálculos biliares podem ser tratados com medicamentos ou litotripsia?

  Para pacientes que recusam a cirurgia, existem opções não cirúrgicas, mas com aplicabilidade limitada. Os medicamentos orais para dissolução de cálculos têm restrições quanto ao tipo, número e tamanho dos cálculos, exigem tratamento prolongado e podem ter efeitos colaterais.

  A litotripsia extracorpórea não é recomendada, pois a fragmentação dos cálculos biliares exige sua eliminação, e esse processo pode desencadear complicações como colangite aguda e pancreatite.

Para quais outras doenças da vesícula a laparoscopia por incisão única pode ser usada?

  Além dos cálculos biliares, a laparoscopia por incisão única também pode ser utilizada na cirurgia de preservação da vesícula para adenomiomatose da vesícula biliar.

  A adenomiomatose da vesícula biliar é uma doença rara e de causa desconhecida, caracterizada pela proliferação benigna das glândulas e da camada muscular da vesícula. Geralmente não apresenta sintomas específicos, podendo se assemelhar à colecistite ou aos cálculos biliares.

  Pacientes mais velhos e assintomáticos podem ser monitorados anualmente. Pacientes jovens ou com progressão da doença podem considerar a cirurgia. A preservação da vesícula é indicada quando a lesão está limitada ao fundo da vesícula e não é do tipo difuso. Em alguns casos de adenomiomatose segmentar do fundo e corpo da vesícula, pode-se ressecar o anel de estenose e a porção distal da vesícula, preservando a porção proximal.

O que é a cirurgia de vesícula com cicatriz oculta?

  A cirurgia da vesícula biliar nem sempre deixa cicatrizes visíveis. Com o avanço das técnicas minimamente invasivas, surgiu o conceito de cicatriz oculta.

  A colecistectomia aberta tradicional pode deixar uma cicatriz de 5 a 10 cm. A colecistectomia laparoscópica tradicional geralmente deixa 3 a 4 pequenas incisões de cerca de 1 cm. A cirurgia laparoscópica com cicatriz oculta esconde as incisões no umbigo, na linha superior dos pelos pubianos ou utiliza cicatrizes de cesárea pré-existentes, tornando as cicatrizes visualmente imperceptíveis.

  A cirurgia laparoscópica transumbilical por incisão única esconde a incisão dentro do umbigo; a cirurgia por incisão oculta pode posicionar parte da incisão na linha superior dos pelos pubianos; em mulheres com cicatriz de cesárea, a cicatriz existente pode ser usada para esconder as novas incisões de punção.

  O objetivo comum dessas cirurgias é reduzir o trauma, encurtar o tempo de recuperação e melhorar ao máximo a aparência pós-operatória, sem comprometer a eficácia do tratamento.

Cuidados pós-operatórios importantes

  Mesmo após a colecistolitotomia com preservação da vesícula, não se pode descuidar. Ainda é necessário prevenir a formação de novos cálculos, o que inclui mudar hábitos de vida prejudiciais, manter uma dieta regular, evitar alimentos gordurosos e realizar acompanhamento periódico conforme orientação médica.

  O desenvolvimento de cálculos biliares está relacionado ao estilo de vida, como horários irregulares, alimentação não saudável, obesidade, dieta rica em calorias e pobre em fibras, jejum prolongado, perda de peso rápida, diabetes e hiperlipidemia.

  Portanto, a cirurgia é apenas uma parte do tratamento; o manejo do estilo de vida pós-operatório é igualmente importante.